{"id":1178,"date":"2019-11-23T01:51:16","date_gmt":"2019-11-23T03:51:16","guid":{"rendered":"https:\/\/tlsengenharia.eng.br\/?p=1178"},"modified":"2019-12-06T01:26:13","modified_gmt":"2019-12-06T03:26:13","slug":"o-valor-de-uma-sondagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tlsengenharia.eng.br\/?p=1178","title":{"rendered":"O valor de uma Sondagem"},"content":{"rendered":"\n<p>No inicio de qualquer obra civil, \u00e9 necess\u00e1rio conhecer as caracter\u00edsticas do solo, e por isso, devemos definir o que seja este meio. A defini\u00e7\u00e3o do termo \u201csolo\u201d varia significativamente de acordo com o referencial adotado.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista da engenharia civil, \u201csolo\u201d \u00e9 todo material terroso e desagreg\u00e1vel que aparece na crosta terrestre, n\u00e3o oferecendo resist\u00eancia intranspon\u00edvel \u00e0 escava\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica e que, quando em seco ou saturado, tem seu comportamento alterado, da\u00ed os estudos em separado dos solos saturados e n\u00e3o saturados. Por outro lado, \u201crocha\u201d \u00e9 todo material cuja resist\u00eancia ao desmonte s\u00f3 pode ser vencida por meio de explosivos, exceto quando em processo geol\u00f3gico de decomposi\u00e7\u00e3o. Portanto podemos dizer que, tecnicamente, o termo \u201csolo\u201d se aplica a materiais da crosta terrestre que servem normalmente de suporte para edifica\u00e7\u00f5es civis, pois podem ser arrimados, escavados ou perfurados e utilizados em empreendimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a Geologia, as defini\u00e7\u00f5es de \u201csolo\u201d e \u201crocha\u201d tem outra conota\u00e7\u00e3o pois esta ci\u00eancia leva em conta tanto o processo como: a era de sua forma\u00e7\u00e3o destes materiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Como exemplo, pensemos na forma\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o onde se localiza a cidade de S\u00e3o Paulo. Geologicamente, trata-se de uma camada de rocha terci\u00e1ria de argila, enquanto que, para a Engenharia Civil, este material \u00e9 denominado de \u201csolo argiloso\u201d. Como podemos notar, ocorre uma varia\u00e7\u00e3o da defini\u00e7\u00e3o do termo, apesar da estreita rela\u00e7\u00e3o entre as duas ci\u00eancias; h\u00e1 ainda que considerar a exist\u00eancia de outras defini\u00e7\u00f5es no campo da Agronomia e \u00e1reas correlatas.<\/p>\n\n\n\n<p>A Mec\u00e2nica dos Solos \u00e9 a ci\u00eancia que realiza o estudo te\u00f3rico e a verifica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica das propriedades e da atua\u00e7\u00e3o dos materiais. \u00c9, portanto, um ramo da mec\u00e2nica aplicada a um material pr\u00e9-existente na natureza. Ela \u00e9 uma ci\u00eancia ainda jovem (com pouco mais de meio s\u00e9culo) e se encontra em pleno desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo do solo \u00e9 um requisito pr\u00e9vio para o projeto de qualquer obra, sobretudo as de grande porte (obras de arte, edif\u00edcios, cortes, aterros, etc..). O conhecimento da forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica do local, o estudo das rochas, solos e minerais, bem como a verifica\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a e posicionamento do len\u00e7ol fre\u00e1tico, s\u00e3o fatores fundamentais. Como se sabe, em se tratando de solos e rochas, a heterogeneidade \u00e9 a regra e a homogeneidade a exce\u00e7\u00e3o. Os estudos s\u00e3o pois indispens\u00e1veis para se alcan\u00e7ar uma boa engenharia, ou seja, aquela que garante a necess\u00e1ria condi\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a e economia.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeira requisito para se abordar qualquer problema de mec\u00e2nica dos solos \u00e9 o conhecimento t\u00e3o perfeito quanto poss\u00edvel das condi\u00e7\u00f5es do subsolo, isto \u00e9 reconhecimento da disposi\u00e7\u00e3o, natureza e espessura das suas camadas, assim como das suas caracter\u00edsticas com rela\u00e7\u00e3o aos problemas em quest\u00e3o. Este conhecimento implica na prospec\u00e7\u00e3o do subsolo e na amostragem ao longo de seu decurso.<\/p>\n\n\n\n<p>Em toda obra de engenharia, h\u00e1 sempre um par\u00e2metro indefinido marcado pelo solo onde ela se repousa. N\u00e3o h\u00e1 como fugir da realidade imposta pela natureza. Assim, somos obrigados a aceit\u00e1-lo como \u00e9: com suas qualidades e defeitos; da\u00ed o \u00eanfase que se tem dado, na engenharia, \u00e0s quest\u00f5es referentes ao solo.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim sendo, nunca se dever\u00e1 decidir sobre o tipo de funda\u00e7\u00e3o de uma obra sem o conhecimento dos resultados de pesquisas do subsolo. \u00c9 evidente que os projetos de funda\u00e7\u00e3o baseados em condi\u00e7\u00f5es desconhecidas do subsolo, assim como especifica\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os a serem executados sobre materiais desconhecidos s\u00e3o motivos certos de discuss\u00f5es entre as partes de um contrato de obra. \u00c9 inacredit\u00e1vel que um engenheiro possa se expor a essa situa\u00e7\u00e3o mas isso ainda acontece.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante tamb\u00e9m, para evitar trabalhos in\u00fateis, que a empresa contratada para executar uma investiga\u00e7\u00e3o do subsolo esteja ao par do tipo de obra que ser\u00e1 executada, pois n\u00e3o s\u00f3 o n\u00famero e espa\u00e7amento dos pontos, devem ser observados tamb\u00e9m o cuidado com que se deve registrar as ocorr\u00eancias apresentadas no subsolo.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma obra executada sem o conhecimento pr\u00e9vio do subsolo implica na ado\u00e7\u00e3o de uma funda\u00e7\u00e3o que nem sempre \u00e9 a que melhor se adapta a a ela tecnicamente e economicamente, o que poder\u00e1 trazer s\u00e9rios problemas a curto prazo, tanto para a obra como para o respons\u00e1vel t\u00e9cnico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 de conhecimento dos profissionais da \u00e1rea que, o solo na sua maioria favorece o uso de funda\u00e7\u00f5es profundas. \u00c9 sabido que as funda\u00e7\u00f5es, sejam elas rasas ou profundas, s\u00e3o elementos estruturados destinados a transmitir as cargas da estrutura para o solo, mas para quantificar os par\u00e2metros geom\u00e9tricos destas pe\u00e7as, e para defini-los \u00e9 necess\u00e1rio o conhecimento m\u00ednimos das caracter\u00edsticas do solo.<\/p>\n\n\n\n<p>Convencionou-se na pr\u00e1tica em relacionar o di\u00e2metro de uma funda\u00e7\u00e3o profunda com sua carga admiss\u00edvel, baseado apenas na capacidade de carga estrutural do elemento de funda\u00e7\u00e3o. Acontece que na maioria dos casos o limitante da capacidade de carga de uma funda\u00e7\u00e3o profunda, n\u00e3o \u00e9 o elemento estrutural e sim a sua capacidade de transmitir as cargas solicitantes para o solo, o que se denomina de capacidade de carga geot\u00e9cnica, onde se determina a transmiss\u00e3o de carga por atrito lateral, que \u00e9 determinada pela \u00e1rea de contato do fuste com o solo e resist\u00eancia de ponta.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto nos leva a concluir que, duas estacas implantadas no mesmo meio e com o mesmo di\u00e2metro, sendo uma curta e outra profunda, possuem capacidades de carga diferentes. Para quantificar os valores de transmiss\u00e3o de carga para o solo, \u00e9 necess\u00e1rio um conhecimento m\u00ednimo das caracter\u00edsticas do meio a ser implantada a funda\u00e7\u00e3o, e para isso, o primeiro passo \u00e9 a investiga\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de uma sondagem a percuss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Um projeto de funda\u00e7\u00e3o n\u00e3o consiste \u00fanica e exclusivamente no conhecimento da carga que o pilar descarrega na funda\u00e7\u00e3o, e a simples divis\u00e3o destes valores pela carga de trabalho estrutural da funda\u00e7\u00e3o, para se determinar a quantidade de estaca necess\u00e1ria. Consiste efetivamente na determina\u00e7\u00e3o de um comprimento m\u00ednimo e sua sec\u00e7\u00e3o transversal, capaz de transmitir as cargas solicitantes para o solo, e para isso \u00e9 necess\u00e1rio a investiga\u00e7\u00e3o do subsolo.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, o custo de uma sondagem equivale, no m\u00e1ximo, a 2% do valor a ser investido na constru\u00e7\u00e3o, irris\u00f3rio frente \u00e0 garantia, economia e seguran\u00e7a que representa para a obra. Portanto, \u00e9 aconselh\u00e1vel para maior seguran\u00e7a e economia, a execu\u00e7\u00e3o de uma sondagem.<\/p>\n\n\n\n<p>O custo deste servi\u00e7o ser\u00e1 rapidamente revertido em benef\u00edcio da obra, e na economia que obter\u00e1 no dimensionamento do projeto de funda\u00e7\u00e3o, evitando desta forma o desperd\u00edcio de material, pelo super dimensionamento, por n\u00e3o conhecer as condi\u00e7\u00f5es do subsolo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No inicio de qualquer obra civil, \u00e9 necess\u00e1rio conhecer as caracter\u00edsticas do solo, e por isso, devemos definir o que seja este meio. A defini\u00e7\u00e3o do termo \u201csolo\u201d varia significativamente de acordo com o referencial adotado. 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