{"id":1182,"date":"2019-11-23T01:52:53","date_gmt":"2019-11-23T03:52:53","guid":{"rendered":"https:\/\/tlsengenharia.eng.br\/?p=1182"},"modified":"2019-12-06T01:26:13","modified_gmt":"2019-12-06T03:26:13","slug":"bim-e-as-universidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tlsengenharia.eng.br\/?p=1182","title":{"rendered":"BIM e as universidades"},"content":{"rendered":"\n<p>Muito se tem falado e escrito sobre a Modelagem da Informa\u00e7\u00e3o da Constru\u00e7\u00e3o ou BIM (Building Information Modeling), e n\u00e3o sem raz\u00e3o. O BIM representa um enorme salto para a Constru\u00e7\u00e3o Civil no uso da Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o, permitindo que recupere d\u00e9cadas de atraso nesse campo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tecnologias e processos ligados ao BIM permitem o registro de todas as informa\u00e7\u00f5es de uma edifica\u00e7\u00e3o, desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 a demoli\u00e7\u00e3o, e serve a todos os participantes e disciplinas do empreendimento. Toda essa informa\u00e7\u00e3o, incluindo a geometria 3D e especifica\u00e7\u00f5es dos componentes, \u00e9 armazenada num modelo digital parametrizado. A disponibilidade de informa\u00e7\u00e3o integrada e consistente facilita e fomenta o uso de aplicativos de simula\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise, a colabora\u00e7\u00e3o e o uso de novas formas de gest\u00e3o do empreendimento, como o IPD (Integrated Project Delivery).<\/p>\n\n\n\n<p>O BIM pressup\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o colaborativa de um modelo digital do edif\u00edcio, em que cada profissional agrega ao modelo as informa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de sua disciplina. As ferramentas BIM permitem a automatiza\u00e7\u00e3o de tarefas como documenta\u00e7\u00e3o e detec\u00e7\u00e3o de interfer\u00eancias, mas a grande contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 o fomento ao projeto integrado, em que os aportes de cada profissional surgem com muito mais anteced\u00eancia que no processo tradicional.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da Constru\u00e7\u00e3o no Brasil, o BIM \u00e9 visto como uma tecnologia estrat\u00e9gica para o crescimento sustentado do setor, j\u00e1 que a melhora no planejamento e no projeto reduz erros, prazos e desperd\u00edcios; amplia a capacidade dos projetistas e otimiza o trabalho da m\u00e3o de obra no canteiro \u2013 todos recursos escassos face \u00e0 demanda observada.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, para que um empreendimento possa se beneficiar do BIM, \u00e9 necess\u00e1rio que disponha de m\u00e3o de obra, especialmente a de n\u00edvel superior, devidamente educada sobre os novos conceitos e tecnologias que representa. Para isso, a experi\u00eancia profissional adquirida no pr\u00f3prio mercado seria de grande valia, por\u00e9m ainda s\u00e3o poucos os escrit\u00f3rios e construtoras que adotaram o BIM como ferramenta de rotina. Dessa forma, o papel da universidade na forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos devidamente familiarizados com os novos paradigmas que o BIM pressup\u00f5e \u00e9 essencial e urgente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Experi\u00eancias internacionais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Existem hoje importantes experi\u00eancias de utiliza\u00e7\u00e3o da Modelagem da Informa\u00e7\u00e3o da Constru\u00e7\u00e3o no ensino de Arquitetura e de Engenharia Civil, especialmente em pa\u00edses onde o BIM est\u00e1 mais difundido.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2008, ao relatar sua experi\u00eancia com o ensino de BIM na California State University, o professor William Kymmell citou as poss\u00edveis limita\u00e7\u00f5es e obst\u00e1culos que um curso enfrentaria ao introduzir BIM no curr\u00edculo. Esses problemas incluem dificuldades na utiliza\u00e7\u00e3o e aprendizagem das ferramentas BIM, incompreens\u00e3o dos conceitos de BIM e as circunst\u00e2ncias do ambiente acad\u00eamico, entre os quais est\u00e3o a falta de \u201cespa\u00e7o\u201d no curr\u00edculo, a r\u00e1pida evolu\u00e7\u00e3o das novas tecnologias, a escassez de professores especializados, a disponibilidade de recursos, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 diferente. Aqui tamb\u00e9m a maioria dos professores dos cursos ligados \u00e0 Constru\u00e7\u00e3o \u00e9 de uma gera\u00e7\u00e3o desacostumada ao uso da TI \u2013 a mesma que dirige o mercado hoje \u2013 e tem dificuldade para absorver essas novas tecnologias, integrando-as ao curr\u00edculo. Os programas dos cursos de arquitetura, engenharia e administra\u00e7\u00e3o raramente se intersectam, e o relacionamento curricular entre gerenciamento da constru\u00e7\u00e3o e projeto em geral praticamente n\u00e3o existe. Esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 inadequada para a forma\u00e7\u00e3o profissional, mesmo para as pr\u00e1ticas e tecnologias atuais e, muito pior, se forem considerados os pressupostos do BIM.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas universidades internacionais que superaram esses obst\u00e1culos s\u00e3o hoje identificadas como l\u00edderes no ensino de BIM. Suas estrat\u00e9gias de introdu\u00e7\u00e3o de BIM no curr\u00edculo foram, essencialmente, de quatro tipos: disciplinas isoladas, colabora\u00e7\u00e3o intracursos, colabora\u00e7\u00e3o interdisciplinar e colabora\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira estrat\u00e9gia, o oferecimento de disciplinas especializadas, \u00e9 a menos recomendada, dada a pr\u00f3pria ess\u00eancia colaborativa do BIM. No entanto, presta-se bem para o contato com ferramentas e compreens\u00e3o dos conceitos mais t\u00e9cnicos do BIM. Pode se dar tamb\u00e9m atrav\u00e9s da incorpora\u00e7\u00e3o de novos conte\u00fados em mat\u00e9rias j\u00e1 existentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A colabora\u00e7\u00e3o intracursos \u00e9 um modelo de ensino em que se pode ensinar a criar, desenvolver e analisar modelos BIM ou at\u00e9 ensinar conceitos BIM mais subjetivos e simular a colabora\u00e7\u00e3o em um empreendimento real, mas sempre com estudantes de um mesmo curso, por exemplo, Engenharia Civil ou Arquitetura.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de 2007, algumas universidades come\u00e7am a ensinar BIM em Atelier de Projeto Integrado\/Interdisciplinar em que alunos de Arquitetura, de Engenharia e de Gerenciamento da Constru\u00e7\u00e3o trabalham colaborativamente no desenvolvimento de um projeto. Esse modelo de atelier \u00e9 estruturado em torno do conceito de que os alunos formam uma equipe de projeto integrado. Neste modelo de ensino, denominado \u201cColabora\u00e7\u00e3o Interdisciplinar\u201d, estudantes de dois ou mais cursos na mesma universidade aprendem conceitos BIM e simulam uma colabora\u00e7\u00e3o real, vivenciando situa\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas. Uma varia\u00e7\u00e3o desta estrat\u00e9gia, especialmente adotada por universidades que possuem apenas o curso de Arquitetura ou o de Engenharia Civil, \u00e9 a \u201cColabora\u00e7\u00e3o \u00e0 Dist\u00e2ncia\u201d entre estudantes de diferentes universidades. Nesse modelo, estudantes de duas ou mais universidades interagem e, como b\u00f4nus, os alunos s\u00e3o expostos a situa\u00e7\u00f5es e tecnologias t\u00edpicas da colabora\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia, cada vez mais importantes no cen\u00e1rio atual de globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando-se a abordagem internacional de introdu\u00e7\u00e3o de BIM nos curr\u00edculos, a predomin\u00e2ncia \u00e9 introduzir BIM em atelier de projeto, mas h\u00e1 casos em que o atelier \u00e9 integrado com outra mat\u00e9ria, geralmente para ensinar as ferramentas BIM. Outra abordagem \u00e9 ensinar BIM em Representa\u00e7\u00e3o Gr\u00e1fica Digital, Gerenciamento, Tecnologia da Constru\u00e7\u00e3o, Est\u00e1gio e Trabalho Final de Gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Multidisciplinaridade no ensino<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O processo de implanta\u00e7\u00e3o do BIM nas universidades revela que n\u00e3o se trata de apenas criar mat\u00e9rias no curr\u00edculo. BIM tem potencial para ser introduzido ao longo de todo o programa. Os cursos deveriam explorar as aplica\u00e7\u00f5es BIM espec\u00edficas de sua disciplina e depois investir na integra\u00e7\u00e3o com outros cursos, mantendo os pontos fortes do ensino tradicional baseado em disciplinas e ao mesmo tempo tornando-se multidisciplinares. Assim, os princ\u00edpios de BIM podem ser introduzidos primeiro em um curso e depois entre cursos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dois primeiros anos do curr\u00edculo poderiam ser desenvolvidas as habilidades individuais de modelagem e an\u00e1lise do modelo, ou seja, ensinar ferramentas e aplicativos BIM em mat\u00e9rias de Representa\u00e7\u00e3o Gr\u00e1fica Digital. Os anos posteriores poderiam se concentrar mais no trabalho em equipe atrav\u00e9s do desenvolvimento de um projeto que integrasse duas ou mais mat\u00e9rias do curso, como por exemplo, Atelier de Projeto, Sistemas Estruturais, Instala\u00e7\u00f5es Prediais e Conforto. O \u00faltimo ano poderia se concentrar no trabalho em equipe multidisciplinar atrav\u00e9s do desenvolvimento de projetos de constru\u00e7\u00e3o reais em Atelier de Projeto Integrado\/Interdisciplinar e em colabora\u00e7\u00e3o com empresas locais.<\/p>\n\n\n\n<p>As universidades brasileiras que pretendem introduzir BIM no ensino como exposto acima, provavelmente enfrentar\u00e3o v\u00e1rios problemas como, por exemplo, a falta de professores treinados no BIM e a de refer\u00eancias sobre BIM em l\u00edngua portuguesa. Outro problema s\u00e3o as ferramentas BIM que trabalham com bibliotecas que seguem padr\u00f5es que \u00e0s vezes n\u00e3o refletem a realidade regional onde s\u00e3o utilizados. Mas provavelmente, o maior deles ser\u00e1 promover a integra\u00e7\u00e3o entre as diversas \u00e1reas do curr\u00edculo e encontrar cursos de outros departamentos, ou at\u00e9 mesmo de outras universidades que estejam dispostos a promover a integra\u00e7\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, as universidades precisam do apoio da ind\u00fastria e fornecedores para achar uma solu\u00e7\u00e3o para as lacunas e car\u00eancias profissionais em BIM, mas no Brasil ainda n\u00e3o existe contato organizado da ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o com as universidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra forma de introduzir essas mudan\u00e7as \u00e9 adequar os Planos Pol\u00edtico-Pedag\u00f3gicos das universidades a esta realidade, incluindo incentivos \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de modelos de colabora\u00e7\u00e3o e \u00e0 integra\u00e7\u00e3o de cursos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto a experi\u00eancias brasileiras, sabe-se apenas da ado\u00e7\u00e3o de ferramentas BIM em alguns cursos de Arquitetura, e de disciplinas especializadas no tema, em n\u00edvel de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na medida em que a ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o civil tornar-se mais integrada, influenciar\u00e1 na educa\u00e7\u00e3o de futuros profissionais, com curr\u00edculos que refletir\u00e3o a \u201cuni\u00e3o\u201d c<br><\/p>\n\n\n\n<p>Muito se tem falado e escrito sobre a Modelagem da Informa\u00e7\u00e3o da Constru\u00e7\u00e3o ou BIM (Building Information Modeling), e n\u00e3o sem raz\u00e3o. O BIM representa um enorme salto para a Constru\u00e7\u00e3o Civil no uso da Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o, permitindo que recupere d\u00e9cadas de atraso nesse campo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tecnologias e processos ligados ao BIM permitem o registro de todas as informa\u00e7\u00f5es de uma edifica\u00e7\u00e3o, desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 a demoli\u00e7\u00e3o, e serve a todos os participantes e disciplinas do empreendimento. Toda essa informa\u00e7\u00e3o, incluindo a geometria 3D e especifica\u00e7\u00f5es dos componentes, \u00e9 armazenada num modelo digital parametrizado. A disponibilidade de informa\u00e7\u00e3o integrada e consistente facilita e fomenta o uso de aplicativos de simula\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise, a colabora\u00e7\u00e3o e o uso de novas formas de gest\u00e3o do empreendimento, como o IPD (Integrated Project Delivery).<\/p>\n\n\n\n<p>O BIM pressup\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o colaborativa de um modelo digital do edif\u00edcio, em que cada profissional agrega ao modelo as informa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de sua disciplina. As ferramentas BIM permitem a automatiza\u00e7\u00e3o de tarefas como documenta\u00e7\u00e3o e detec\u00e7\u00e3o de interfer\u00eancias, mas a grande contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 o fomento ao projeto integrado, em que os aportes de cada profissional surgem com muito mais anteced\u00eancia que no processo tradicional.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da Constru\u00e7\u00e3o no Brasil, o BIM \u00e9 visto como uma tecnologia estrat\u00e9gica para o crescimento sustentado do setor, j\u00e1 que a melhora no planejamento e no projeto reduz erros, prazos e desperd\u00edcios; amplia a capacidade dos projetistas e otimiza o trabalho da m\u00e3o de obra no canteiro \u2013 todos recursos escassos face \u00e0 demanda observada.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, para que um empreendimento possa se beneficiar do BIM, \u00e9 necess\u00e1rio que disponha de m\u00e3o de obra, especialmente a de n\u00edvel superior, devidamente educada sobre os novos conceitos e tecnologias que representa. Para isso, a experi\u00eancia profissional adquirida no pr\u00f3prio mercado seria de grande valia, por\u00e9m ainda s\u00e3o poucos os escrit\u00f3rios e construtoras que adotaram o BIM como ferramenta de rotina. Dessa forma, o papel da universidade na forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos devidamente familiarizados com os novos paradigmas que o BIM pressup\u00f5e \u00e9 essencial e urgente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Experi\u00eancias internacionais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Existem hoje importantes experi\u00eancias de utiliza\u00e7\u00e3o da Modelagem da Informa\u00e7\u00e3o da Constru\u00e7\u00e3o no ensino de Arquitetura e de Engenharia Civil, especialmente em pa\u00edses onde o BIM est\u00e1 mais difundido.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2008, ao relatar sua experi\u00eancia com o ensino de BIM na California State University, o professor William Kymmell citou as poss\u00edveis limita\u00e7\u00f5es e obst\u00e1culos que um curso enfrentaria ao introduzir BIM no curr\u00edculo. Esses problemas incluem dificuldades na utiliza\u00e7\u00e3o e aprendizagem das ferramentas BIM, incompreens\u00e3o dos conceitos de BIM e as circunst\u00e2ncias do ambiente acad\u00eamico, entre os quais est\u00e3o a falta de \u201cespa\u00e7o\u201d no curr\u00edculo, a r\u00e1pida evolu\u00e7\u00e3o das novas tecnologias, a escassez de professores especializados, a disponibilidade de recursos, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 diferente. Aqui tamb\u00e9m a maioria dos professores dos cursos ligados \u00e0 Constru\u00e7\u00e3o \u00e9 de uma gera\u00e7\u00e3o desacostumada ao uso da TI \u2013 a mesma que dirige o mercado hoje \u2013 e tem dificuldade para absorver essas novas tecnologias, integrando-as ao curr\u00edculo. Os programas dos cursos de arquitetura, engenharia e administra\u00e7\u00e3o raramente se intersectam, e o relacionamento curricular entre gerenciamento da constru\u00e7\u00e3o e projeto em geral praticamente n\u00e3o existe. Esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 inadequada para a forma\u00e7\u00e3o profissional, mesmo para as pr\u00e1ticas e tecnologias atuais e, muito pior, se forem considerados os pressupostos do BIM.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas universidades internacionais que superaram esses obst\u00e1culos s\u00e3o hoje identificadas como l\u00edderes no ensino de BIM. Suas estrat\u00e9gias de introdu\u00e7\u00e3o de BIM no curr\u00edculo foram, essencialmente, de quatro tipos: disciplinas isoladas, colabora\u00e7\u00e3o intracursos, colabora\u00e7\u00e3o interdisciplinar e colabora\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira estrat\u00e9gia, o oferecimento de disciplinas especializadas, \u00e9 a menos recomendada, dada a pr\u00f3pria ess\u00eancia colaborativa do BIM. No entanto, presta-se bem para o contato com ferramentas e compreens\u00e3o dos conceitos mais t\u00e9cnicos do BIM. Pode se dar tamb\u00e9m atrav\u00e9s da incorpora\u00e7\u00e3o de novos conte\u00fados em mat\u00e9rias j\u00e1 existentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A colabora\u00e7\u00e3o intracursos \u00e9 um modelo de ensino em que se pode ensinar a criar, desenvolver e analisar modelos BIM ou at\u00e9 ensinar conceitos BIM mais subjetivos e simular a colabora\u00e7\u00e3o em um empreendimento real, mas sempre com estudantes de um mesmo curso, por exemplo, Engenharia Civil ou Arquitetura.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de 2007, algumas universidades come\u00e7am a ensinar BIM em Atelier de Projeto Integrado\/Interdisciplinar em que alunos de Arquitetura, de Engenharia e de Gerenciamento da Constru\u00e7\u00e3o trabalham colaborativamente no desenvolvimento de um projeto. Esse modelo de atelier \u00e9 estruturado em torno do conceito de que os alunos formam uma equipe de projeto integrado. Neste modelo de ensino, denominado \u201cColabora\u00e7\u00e3o Interdisciplinar\u201d, estudantes de dois ou mais cursos na mesma universidade aprendem conceitos BIM e simulam uma colabora\u00e7\u00e3o real, vivenciando situa\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas. Uma varia\u00e7\u00e3o desta estrat\u00e9gia, especialmente adotada por universidades que possuem apenas o curso de Arquitetura ou o de Engenharia Civil, \u00e9 a \u201cColabora\u00e7\u00e3o \u00e0 Dist\u00e2ncia\u201d entre estudantes de diferentes universidades. Nesse modelo, estudantes de duas ou mais universidades interagem e, como b\u00f4nus, os alunos s\u00e3o expostos a situa\u00e7\u00f5es e tecnologias t\u00edpicas da colabora\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia, cada vez mais importantes no cen\u00e1rio atual de globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando-se a abordagem internacional de introdu\u00e7\u00e3o de BIM nos curr\u00edculos, a predomin\u00e2ncia \u00e9 introduzir BIM em atelier de projeto, mas h\u00e1 casos em que o atelier \u00e9 integrado com outra mat\u00e9ria, geralmente para ensinar as ferramentas BIM. Outra abordagem \u00e9 ensinar BIM em Representa\u00e7\u00e3o Gr\u00e1fica Digital, Gerenciamento, Tecnologia da Constru\u00e7\u00e3o, Est\u00e1gio e Trabalho Final de Gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Multidisciplinaridade no ensino<\/p>\n\n\n\n<p>O processo de implanta\u00e7\u00e3o do BIM nas universidades revela que n\u00e3o se trata de apenas criar mat\u00e9rias no curr\u00edculo. BIM tem potencial para ser introduzido ao longo de todo o programa. Os cursos deveriam explorar as aplica\u00e7\u00f5es BIM espec\u00edficas de sua disciplina e depois investir na integra\u00e7\u00e3o com outros cursos, mantendo os pontos fortes do ensino tradicional baseado em disciplinas e ao mesmo tempo tornando-se multidisciplinares. Assim, os princ\u00edpios de BIM podem ser introduzidos primeiro em um curso e depois entre cursos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dois primeiros anos do curr\u00edculo poderiam ser desenvolvidas as habilidades individuais de modelagem e an\u00e1lise do modelo, ou seja, ensinar ferramentas e aplicativos BIM em mat\u00e9rias de Representa\u00e7\u00e3o Gr\u00e1fica Digital. Os anos posteriores poderiam se concentrar mais no trabalho em equipe atrav\u00e9s do desenvolvimento de um projeto que integrasse duas ou mais mat\u00e9rias do curso, como por exemplo, Atelier de Projeto, Sistemas Estruturais, Instala\u00e7\u00f5es Prediais e Conforto. O \u00faltimo ano poderia se concentrar no trabalho em equipe multidisciplinar atrav\u00e9s do desenvolvimento de projetos de constru\u00e7\u00e3o reais em Atelier de Projeto Integrado\/Interdisciplinar e em colabora\u00e7\u00e3o com empresas locais.<\/p>\n\n\n\n<p>As universidades brasileiras que pretendem introduzir BIM no ensino como exposto acima, provavelmente enfrentar\u00e3o v\u00e1rios problemas como, por exemplo, a falta de professores treinados no BIM e a de refer\u00eancias sobre BIM em l\u00edngua portuguesa. Outro problema s\u00e3o as ferramentas BIM que trabalham com bibliotecas que seguem padr\u00f5es que \u00e0s vezes n\u00e3o refletem a realidade regional onde s\u00e3o utilizados. Mas provavelmente, o maior deles ser\u00e1 promover a integra\u00e7\u00e3o entre as diversas \u00e1reas do curr\u00edculo e encontrar cursos de outros departamentos, ou at\u00e9 mesmo de outras universidades que estejam dispostos a promover a integra\u00e7\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, as universidades precisam do apoio da ind\u00fastria e fornecedores para achar uma solu\u00e7\u00e3o para as lacunas e car\u00eancias profissionais em BIM, mas no Brasil ainda n\u00e3o existe contato organizado da ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o com as universidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra forma de introduzir essas mudan\u00e7as \u00e9 adequar os Planos Pol\u00edtico-Pedag\u00f3gicos das universidades a esta realidade, incluindo incentivos \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de modelos de colabora\u00e7\u00e3o e \u00e0 integra\u00e7\u00e3o de cursos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto a experi\u00eancias brasileiras, sabe-se apenas da ado\u00e7\u00e3o de ferramentas BIM em alguns cursos de Arquitetura, e de disciplinas especializadas no tema, em n\u00edvel de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na medida em que a ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o civil tornar-se mais integrada, influenciar\u00e1 na educa\u00e7\u00e3o de futuros profissionais, com curr\u00edculos que refletir\u00e3o a \u201cuni\u00e3o\u201d cada vez maior entre projeto e constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><strong>Eduardo Toledo Santos<\/strong>, professor da Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo<br><strong>Maria Bernardete Barison,&nbsp;<\/strong>professora da Universidade Estadual de Londrina<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Fonte : Revista Constru\u00e7\u00e3o e Mercado ( PINI )<\/p>\n\n\n\n<p>Link :&nbsp;http:\/\/construcaomercado17.pini.com.br\/negocios-incorporacao-construcao\/115\/o-desafio-para-as-universidades-formacao-de-recursos-humanos-282479-1.aspx<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito se tem falado e escrito sobre a Modelagem da Informa\u00e7\u00e3o da Constru\u00e7\u00e3o ou BIM (Building Information Modeling), e n\u00e3o sem raz\u00e3o. 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